Gerascofobia ou Gerontofobia

Você sabe o que significa?

Seja na infância, na adolescência ou mesmo no inicio da idade adulta quase ninguém pensa na finitude da vida, infelizmente não há em nossa cultura a preparação para este tão certo momento de nossa jornada aqui neste globo terrestre, porém todos nós sabemos que chegará a hora, seja ela qual for, um dia precisaremos “partir”.

A Gerascofobia ou Gerontofobia nada mais é do que o medo do envelhecimento, o medo exacerbado da velhice e é uma fobia tão “gritante” que inclui sintomas físicos, psicológicos e comportamentais. Este medo chega ser tão absurdo a ponto de levar o sujeito a atitudes exageradas de comportamento apenas para que possam ser retardados os sintomas naturais do envelhecimento tais como: – procedimentos estéticos com assiduidade, tratamentos compulsivos como cirurgias plásticas, uso de medicamentos e produtos estéticos, exagero nos exercícios físicos, preocupação exacerbada com a estética física dentre outros.

A Gerascofobia ou Gerantofofia é aquele medo patológico de envelhecer e pode inclusive chegar ao ponto estremo do medo também das pessoas idosas.

Na atualidade é percebível o quão as pessoas estão se preocupando com a aparência, é natural esta evolução, a medicina tem nos proporcionado cada vez mais condições para a tão sonhada longevidade, mas é preocupante tais atitudes descomedidas a ponto de evoluírem se para sintomas físicos tais como dores não localizadas, perda da capacidade motora, perda parcial ou total do raciocínio lógico, ansiedades negativas, pensamentos não convenientes e em alguns casos até a depressão.

Todos nós vamos envelhecer, ficaremos velhos um dia isto deveria ser fato e como li em uma destas frases do google “Nascer é uma possibilidade, viver é um risco, envelhecer é um privilégio” posso afirmar que assim deveria sempre ser pensado, sim, somos privilegiados, agraciados em poder envelhecer, nos tornarmos idosos, aquele que com o passar dos anos da cronologia da vida pode contar o tempo que aqui está e principalmente poder contar o tempo através das “marcas” naturais de seu envelhecimento.

Não há necessidade de ter medo de envelhecer, não há porque somatizar pensamentos aterrorizantes sobre esta etapa da vida a ponto de se tornar uma fobia, ter uma definição, o que é necessário é a conscientização, a prevenção, os cuidados que precisamos ter desde sempre para que possamos ter um envelhecimento saudável, dentro dos padrões naturais de cada ser.

No século XVIII foram apontados por pesquisadores a grande valorização do ser jovem, lá na revolução industrial onde os idosos, aqueles que apresentavam uma depreciação natural do corpo ( que nem sempre condizia à idade ) não eram valorizados pois eram vistos como seres incapazes de produzir, seres que não mais possuíam agilidades suficientes para o aumento da produção em massa exigida naquele tempo e devido à estas condições aquele que era considerado “velho” até mesmo pela aparência física ( muitas das vezes desgastadas pela ação do tempo, sol em exagero, excesso de esforço físico nas lavouras, má alimentação, etc.) eram simplesmente excluídos, postos à margem da possibilidade de adquirir um novo emprego, uma nova colocação no mercado de trabalho naquele tempo considerado melhor que o trabalho braçal do campo fez com que a tecnologia enxergasse um novo nicho de mercado aquele que poderia “fazer milagre”, retardar o envelhecimento porque uma aparência jovem intensificaria a possiblidade de novas conquistas.

Com o passar dos anos cada vez mais foi-se intensificando e aperfeiçoando novas tecnologias estéticas, equipamentos super atualizados como ultrassom microfocado, radiofrequência e biostimuladores de colágeno, botox, harmonizações faciais, facetas dentárias, implantes, preenchimentos dérmicos, peelings químicos, microagulhamentos, dentre tantos outros procedimentos hoje tão “a mão” daqueles que não querem que sua aparência seja “de um velho” fazem desenvolver uma afixação inatural da juventude irreal levando aquele que busca por estes subterfúgios imaginar nunca envelhecer.

Outro fator não menos importante de se ressaltar, porém também muito frequente naquele que desenvolveu a Gerascofobia/ Gerontofobia é o processo de envelhecimento natural associado ao descaso, o descuido, a forma com que o idoso é tratado perante o meio em que vive, familiares, cuidadores, amigos e até mesmo a sociedade em um todo.

Infelizmente ainda temos muito a desejar quanto a conscientização de que não é porque sou, estou velho é que perdi minha identidade ou até mesmo minha consciência de pertencimento no mundo em que vivo, não é porque meu corpo envelheceu e hoje apresenta marcas deste tempo vivido é que perdi minha capacidade de produzir, não é porque tenho sinais, rugas, manchas, cabelos brancos perda de alguns dentes, ou todos, pele ressecada etc. significará que minha consciência não esteja preservada, minha capacidade intelectual possa não estar resguardada, eu ainda posso produzir, eu ainda consigo pensar e agir com uma pequena diferença daqueles que tem menos idade que eu, eu preciso do meu tempo para concluir o que foi solicitado, eu preciso do meu tempo, não posso ser cobrado (a) por ações que “um dia” fiz em um tempo curto, hoje, minhas possibilidades são e estão menores, mas nada que me impeça de realizar e cumprir com maestria toda tarefa exigida.

Sendo visto e compreendida esta grande e real diferença entre um ser de menos idade e um ser com idade mais avançada poderemos mudar nosso comportamento diante de reações para com eles impedindo assim o desenvolvimento deste medo aterrorizante que hoje está se tornando cada vez mais frequente.

Há uma ressalva que posso mencionar aqui que auxilia no desenvolvendo principalmente da população mais jovem  quanto a Gerascofobia/Gerontofobia,  é a influência televisiva em massa que temos em tempo real. Personagens, atores, atrizes, cantores e cantoras mostram-se cada dia que passa numa performa-se irreal, usam de imagens exorbitantemente distorcidas para que a cada aparecimento, a cada apresentação de seus “personagens” possam parecer ainda mais jovens fazendo com que aqueles que os vêm se sintam na necessidade de copiar, de ser igual porque é está a imagem que produz impacto, é esta a imagem que precisa ser preservada para que a jovialidade seja valorizada, o que desmerece novamente à imagem do envelhecer.

Quem teve a oportunidade de ver uma atriz, um ator, uma cantora, um cantor hoje considerado (a) dentro dos padrões atuais de sua idade sem maquilagem, numa foto real, “sem filtro” pode comprovar o que estou mencionando, elas, eles também são reais, também têm rugas, pés de galinha, celulites etc, alguns, algumas mascaram, usam dos procedimentos necessários para que sua carreira possa não ser prejudicada, outros (as) conseguem se manter “reais” e ao longo dos anos foram se programando para a tão chegada hora de “parar” não pela sua capacidade produtiva mas, infelizmente sim pela sua aparência porém a maioria deles, delas podem desenvolver esta terrível fobia.

É necessário a conscientização, o acolhimento e a ressignificação dos valores do ser humano perante ao envelhecimento.  A aceitação como parte fundamental da mudança de comportamento pode ser auxiliada com a ajuda da Terapia Cognitivo Comportamental.

O reconhecimento que chegar à idade madura com todas suas características preservadas é um grande privilégio porque nada mais significa que estarmos vivos, vivendo e aproveitando cada amanhecer e cada oportunidade que surge diante de nós.

Vivendo conscientemente cada etapa da vida fará com que a madurez possa chegar como uma fase ainda cheia de oportunidades, novas conquistas, uma fase rica de surpresas agradáveis quebrando assim o medo de envelhecer.

É de suma importância compartilhar com pessoas amigas este medo, compartilhar experiências obtidas com outras pessoas para que de “boca em boca” de conhecimento em conhecimento a ajuda específica possa chegar e assim reduzir a sensação desagradável que ocupa a mente, o coração e o comportamento daquele que tem, adquiriu este medo.

Discuta, converse, procure ajuda assim que sentir que algo está acontecendo pois, entender as causas do envelhecimento, o processo natural de cada organismo, ter consciência de que exercícios físicos são necessários e só fazem bem pode muito ajudar.

Procurar um (a) nutricionista, o acompanhamento de um especialista, de um (a) geriatra, um (a) gerontologista ou um (a) piscogerontólogo pode fazer toda diferença na compreensão saudável do envelhecimento entendendo que esta etapa da vida  não é sinônimo de incapacidade  pois um envelhecimento saudável na atualidade pode ser visto como alguém que tem e faz amizades, alguém que ainda viaja e quer conhecer novos lugares, alguém que busca novos conhecimentos,  que almeja um novo relacionamento ou está em um relacionamento saudável etc. tornará tudo mais simples e então chegará a idade madura entendendo que  não é uma etapa para se ter medo, uma fase que gera fobia e sim, a melhor etapa da vida aquela que podemos dizer que VIVEMOS, que somos pessoas alegres e presenteadas todos os dias apenas pela simples razão de ESTARMOS VIVOS. Então, para que ter Medo?

Pense nisso

Gilwanya Ferreira

CRP 04/42417

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